PF e PGR negam que Vorcaro tenha relatado financiamento de documentário sobre Lula em delação

A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) negaram, nesta sexta-feira (9), que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, tenha afirmado em depoimento ou apresentado documentos sobre um suposto financiamento do documentário Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone e lançado em 2024.
A controvérsia começou após a revista Veja divulgar um áudio atribuído ao ex-banqueiro no qual ele afirma ter investido recursos na produção do filme sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a publicação, o material faria parte das tratativas para um acordo de delação premiada.
Em nota, a Polícia Federal declarou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo relatado nem entregou documentos ou informações sobre o suposto financiamento. A corporação também informou que as propostas de colaboração apresentadas pela defesa não foram aceitas por não atenderem aos requisitos legais.
A PGR, por sua vez, afirmou que as negociações foram conduzidas exclusivamente pelos advogados do investigado e que não houve interlocução direta com Vorcaro. O órgão também confirmou que não ocorreu depoimento oral durante as tratativas, uma vez que a proposta foi rejeitada.
A defesa do ex-banqueiro igualmente declarou que ele não prestou depoimento à PF ou à PGR no âmbito das negociações e contestou a divulgação de supostos documentos relacionados a uma colaboração que não chegou a ser formalizada.
Segundo informações apuradas pela imprensa, a extração de dados do celular de Vorcaro não identificou registros de transferências destinadas ao financiamento do documentário sobre Lula. A única referência ao filme nas propostas de colaboração estaria em um anexo sobre o financiamento de uma produção relacionada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sem detalhamento de irregularidades envolvendo a obra sobre o petista.
O caso ganhou repercussão política após a divulgação do áudio, em meio à disputa eleitoral de 2026. A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que solicitará direito de resposta e avaliará outras medidas legais diante das informações consideradas falsas e ofensivas a autoridades federais.