Lucas Ribeiro rebate deputada eleita que questionou o feminicídio: “Queria que ela explicasse isso a um órfão”

O governador reeleito da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), criticou nesta quarta-feira (7) a deputada estadual eleita por São Paulo Eduarda Campopiano (PL), após declarações da parlamentar de que “não acredita que o feminicídio seja algo que exista” e de que o homem precisa ser agressivo e, em determinadas situações, letal.
A manifestação ocorreu antes da primeira reunião de Lucas com os secretários estaduais após a reeleição, conquistada com mais de 64% dos votos. Ao ser questionado sobre as políticas de enfrentamento à violência contra a mulher, o governador também comentou uma suspeita de feminicídio registrada nesta quarta-feira, em Mangabeira, em João Pessoa.
Lucas afirmou que a Paraíba havia ultrapassado a marca de 100 dias sem registros de feminicídio antes do caso investigado nesta quarta-feira. Segundo ele, o período seria resultado das políticas adotadas pelo Estado para proteção das mulheres.
“A Paraíba já estava ultrapassando 100 dias sem nenhum feminicídio em nosso estado. Isso é resultado de uma política que nós temos realizado de proteção às mulheres, de cuidado com as mulheres paraibanas”, afirmou.
O governador lamentou a suspeita registrada em João Pessoa e disse que o caso está sendo acompanhado pelas autoridades.
História da primeira-dama
Ao criticar a declaração da deputada paulista, Lucas Ribeiro levou o debate para uma questão pessoal ao citar a história de sua esposa, a primeira-dama da Paraíba, Camila Mariz.
Camila perdeu a mãe aos 10 anos, vítima de uma emboscada praticada pelo próprio pai. Após a morte, ela foi criada pela avó.
Lucas afirmou que declarações que negam a existência do feminicídio desconsideram a realidade enfrentada por famílias que perdem mulheres vítimas de violência.
“Eu queria que ela explicasse isso a um órfão de feminicídio, que a Paraíba acolhe”, disse.
O governador também destacou o programa estadual de apoio a órfãos do feminicídio, que oferece uma bolsa para crianças e adolescentes que ficam sem a mãe em decorrência desse tipo de crime.
“Queria que ela explicasse isso para pessoas como, não só Camila, mas tantos outros órfãos, tantas outras pessoas e familiares que perderam uma referência na sua vida, uma mulher vítima de violência, vítima de feminicídio”, afirmou.
Lucas classificou as declarações da deputada como “lamentáveis” e disse que continuará atuando no enfrentamento à violência contra a mulher.
“Enquanto estivermos aqui, nós vamos ser uma voz ativa para combater isso e para defender a vida, para defender as mulheres”, declarou.
O governador também defendeu a ampliação da participação feminina na política e citou a necessidade de políticas que garantam maior presença das mulheres nos espaços de poder.
Por Paraíba Master