Vorcaro nega fraude no BRB e atribui crise do banco à liquidação do Master e às investigações

 Vorcaro nega fraude no BRB e atribui crise do banco à liquidação do Master e às investigações
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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro negou ter cometido fraude nas operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) e atribuiu a crise enfrentada pela instituição pública à liquidação do Master e às investigações sobre o caso. As declarações foram feitas durante depoimento à Polícia Federal (PF), realizado em 15 de setembro e divulgado nesta sexta-feira (30).

Na oitiva, Vorcaro afirmou que, após a liquidação do Banco Master e sua prisão, o BRB sofreu uma retirada de aproximadamente R$ 9 bilhões em recursos. Segundo ele, a crise foi consequência da perda de credibilidade provocada pelos acontecimentos envolvendo as duas instituições, e não de irregularidades cometidas por sua gestão.

“O banco vive de credibilidade. Depois da liquidação e da minha prisão, foi sacado R$ 9 bilhões do BRB. A crise do BRB não foi causada por mim, não, foi causada pela situação que ocorreu, de liquidação do Master, que era parceiro”, declarou.

Durante o interrogatório, o ex-banqueiro também negou a comercialização de carteiras de crédito inexistentes ao BRB. Ele reconheceu problemas envolvendo operações relacionadas à empresa Tirreno, mas afirmou que a situação foi identificada e corrigida antes de o caso se tornar público, em novembro de 2025.

Vorcaro disse que utilizou ativos do próprio Banco Master e recursos pessoais para substituir as carteiras questionadas. Segundo ele, a operação foi realizada de boa-fé e deixou o BRB com mais ativos do que o valor inicialmente pago.

O empresário também contestou a interpretação das investigações sobre uma suposta fraude de R$ 12 bilhões. Na avaliação dele, as acusações partiram de uma leitura equivocada de informações do Banco Central e foram utilizadas para justificar sua prisão.

“Fraude não teve. Não teve fraude. Não tem cliente que perdeu dinheiro, o BRB não perdeu dinheiro”, afirmou.

Pedido de arquivamento

Ao longo do depoimento, Vorcaro declarou que considera sua prisão injusta e pediu o arquivamento do processo. Ele também solicitou a realização de uma perícia independente, preferencialmente por uma empresa estrangeira, para avaliar os ativos envolvidos nas operações entre as instituições.

O ex-banqueiro ainda afirmou acreditar na Justiça e disse que espera que integrantes da Polícia Federal, do Banco Central e de outras instituições envolvidas no caso assumam suas responsabilidades.

Imóveis de R$ 146 milhões

Outro ponto abordado no depoimento foi a negociação de imóveis avaliados em aproximadamente R$ 146 milhões, que teriam sido utilizados como compensação nas tratativas entre o Banco Master e o BRB.

Vorcaro afirmou que os imóveis seriam disponibilizados ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, para moradia, caso a fusão entre as instituições fosse concretizada. Segundo ele, Costa havia sido convidado para ocupar um cargo de gestão na instituição resultante da operação e precisaria se mudar para São Paulo com a família.

O ex-banqueiro negou que os imóveis fossem presentes e afirmou que seriam cedidos em regime de comodato, sem transferência de propriedade. Ele acrescentou que o ex-presidente poderia adquiri-los futuramente por meio de um programa de bonificação destinado aos gestores.

Em depoimento próprio, Paulo Henrique Costa afirmou que o BRB não tinha conhecimento de que estaria ocorrendo fraude nas operações realizadas com o Banco Master.

PF aponta prejuízo bilionário

As declarações de Vorcaro ocorrem após a Polícia Federal indiciar o ex-banqueiro, Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas no inquérito que investiga possíveis fraudes nas operações entre o Banco Master e o BRB.

O relatório parcial, com mais de 700 páginas, foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira (28). A PF também solicitou a prorrogação das investigações por mais 60 dias para concluir perícias e diligências complementares.

De acordo com os investigadores, o BRB adquiriu aproximadamente R$ 17,5 bilhões em ativos e carteiras de crédito do Banco Master entre julho de 2024 e outubro de 2025. Desse total, ao menos R$ 12,2 bilhões corresponderiam a créditos comercializados sem comprovação de existência.

A investigação aponta que os créditos fictícios teriam sido utilizados para sustentar operações financeiras bilionárias e manter o fluxo de recursos para o Banco Master.

Daniel Vorcaro foi indiciado por gestão fraudulenta, indução a erro, falsidade em informações ou documentos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Já Paulo Henrique Costa foi indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa.

O caso segue sob investigação da Polícia Federal, que busca concluir as análises técnicas e esclarecer a participação dos envolvidos nas operações financeiras.

Por Paraíba Master

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