Imprensa internacional destaca ataques pessoais e estratégias de Lula e Flávio no último debate presidencial

Reuters, Associated Press, Le Monde e El País repercutiram o confronto na Globo, marcado por provocações, discussões econômicas e tentativas de conquistar eleitores indecisos
O último debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite de sexta-feira (23), pela TV Globo, repercutiu em veículos de comunicação da Europa, dos Estados Unidos e da América do Sul. A cobertura internacional destacou os ataques pessoais, as divergências sobre a economia e as estratégias dos candidatos na reta final da disputa presidencial, cujo segundo turno ocorre neste domingo (25).
Entre os episódios que ganharam destaque esteve a referência de Flávio Bolsonaro aos “nove dedos” de Lula, em alusão à perda de um dedo da mão esquerda do presidente em um acidente de trabalho. A resposta de Lula, que chamou o adversário de miliciano, também foi mencionada pela imprensa estrangeira. A Associated Press ainda destacou a manifestação da mãe da menina Ana Clara durante o debate, quando ela gritou que a filha estava morta.
A agência britânica Reuters destacou as divergências entre os candidatos sobre o custo de vida e a corrupção. Enquanto Flávio Bolsonaro enfatizou os preços dos alimentos e as dificuldades econômicas enfrentadas pelas famílias, Lula defendeu as medidas de valorização do salário mínimo adotadas por seu governo.
O jornal francês Le Monde publicou uma análise intitulada “Flávio Bolsonaro mais civilizado, Lula mais agressivo durante o crucial segundo debate”. A publicação observou que o senador conseguiu detalhar propostas econômicas, mas também comprometeu sua atuação ao recorrer a ataques pessoais contra o presidente.
Na Espanha, o El País avaliou que Lula colocou o adversário na defensiva durante o confronto. Segundo a análise do jornal, o presidente procurou associar sua imagem à defesa dos trabalhadores, enquanto Flávio tentou transmitir uma postura mais moderada e se apresentar como alternativa para governar o país.
A repercussão em Portugal também destacou a combinação de propostas e acusações. O jornal Público resumiu o encontro como um debate com muitas promessas e as acusações habituais entre os adversários. Já o portal Observador apontou que Flávio buscou demonstrar moderação, enquanto Lula adotou um discurso mais duro e questionou os riscos que a eleição do senador representaria para a democracia.
Na Argentina, o Clarín chamou atenção para as referências ao país vizinho durante o debate, especialmente nas críticas de Lula ao presidente Javier Milei e nas comparações entre os modelos econômicos defendidos pelos dois campos políticos. O jornal La Nación também destacou as provocações envolvendo a expressão “nove dedos” e as referências à situação econômica argentina.
O jornal uruguaio El País, por sua vez, ressaltou a retomada dos ataques entre os candidatos, destacando tanto a provocação de Flávio quanto a recomendação de Lula para que os eleitores pesquisassem informações na internet.
A cobertura internacional mostrou que o confronto final não ficou restrito às propostas de governo. As publicações deram atenção especial à linguagem corporal, às declarações de efeito e às tentativas de cada candidato de influenciar a percepção dos eleitores indecisos antes da votação.
Por Paraíba Master