China e EUA avançam em acordo para cortar tarifas de US$ 60 bilhões sobre produtos comercializados

China e Estados Unidos chegaram a um entendimento para diminuir tarifas aplicadas sobre cerca de US$ 60 bilhões (aproximadamente R$ 311 bilhões) em mercadorias comercializadas entre os dois países. A medida envolve produtos de diferentes setores, incluindo alimentos, eletrodomésticos, cosméticos e brinquedos.
O acordo foi discutido no âmbito do Conselho de Comércio EUA-China. Cada país indicou aproximadamente US$ 30 bilhões em bens considerados não sensíveis que poderão receber condições tarifárias mais favoráveis, segundo informou o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, em comunicado divulgado no domingo (27).
De acordo com Greer, a iniciativa deverá ampliar o acesso de produtos norte-americanos ao mercado chinês e alcançar cerca de 30% das exportações dos Estados Unidos destinadas à China.
A redução das tarifas faz parte dos entendimentos obtidos durante a segunda reunião realizada neste ano entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente norte-americano, Donald Trump. O encontro ocorreu em Washington na semana passada e também resultou na extensão da trégua comercial entre as duas maiores economias do mundo.
Produtos incluídos no acordo
Entre os itens que a China pretende contemplar com tarifas menores estão produtos agrícolas norte-americanos, como milho, trigo, sorgo, carnes, derivados de leite, óleos vegetais e farinhas. A soja, entretanto, não aparece na relação divulgada pela Casa Branca.
A lista chinesa também inclui peixes e frutos do mar, madeira, cosméticos e equipamentos médicos produzidos nos Estados Unidos.
Na direção contrária, os EUA deverão reduzir tarifas incidentes sobre uma série de produtos chineses. Entre eles estão pequenos eletrodomésticos, como cafeteiras e torradeiras, além de louças, cobertores, roupas de cama, brinquedos e artigos de decoração.
Também foram incluídos fogos de artifício, flores artificiais, iluminação natalina e cadeirinhas infantis para automóveis.
Extensão da trégua comercial
O Ministério do Comércio da China informou nesta segunda-feira (28) que a trégua comercial com os Estados Unidos será prolongada por mais dois meses, até 10 de janeiro.
Segundo a pasta, o prazo adicional permitirá que os dois governos analisem os avanços nas negociações econômicas e comerciais e discutam novas medidas para solucionar pendências entre os países.
Pequim afirmou ainda que a extensão deverá contribuir para um cenário mais previsível para empresas dos dois lados. Os governos também pretendem manter reuniões regulares sobre investimentos, incluindo oportunidades, obstáculos e regras que afetam a atuação de companhias estrangeiras.
Agricultura e importação de carvão
A seleção dos produtos agrícolas que terão tarifas reduzidas ocorre em meio ao compromisso, mencionado pela Casa Branca, de que a China compre US$ 17 bilhões em produtos agrícolas dos Estados Unidos.
Pequim também voltou a adquirir grandes volumes de soja norte-americana. A retomada está relacionada a um acordo firmado no ano passado, que prevê a compra anual de 25 milhões de toneladas métricas do produto.
Outra medida anunciada foi a criação de um grupo de trabalho dedicado à agricultura. O colegiado será ligado ao Conselho de Comércio EUA-China e deverá realizar sua primeira reunião até o fim deste ano, com discussões sobre acesso aos mercados e normas regulatórias.
No setor energético, a Casa Branca informou que a China deverá importar 10 milhões de toneladas métricas de carvão dos Estados Unidos por ano em 2027 e 2028. O volume representa cerca de 2% das compras anuais de carvão realizadas pelo país asiático.
Petróleo e gás natural liquefeito não foram incluídos nas listas de produtos contemplados pelas reduções tarifárias.
O Ministério do Comércio chinês afirmou que a compra de carvão norte-americano poderá complementar o abastecimento interno da China e, ao mesmo tempo, gerar receitas e empregos para o setor carbonífero dos Estados Unidos.
Inteligência artificial e serviços financeiros
As negociações também envolveram inteligência artificial. China e Estados Unidos concordaram em estabelecer um canal de comunicação para tratar de eventuais incidentes relacionados à tecnologia e deverão realizar uma nova rodada de diálogo até o fim de novembro.
No setor financeiro, Pequim sinalizou que irá analisar e autorizar a atuação de instituições estrangeiras, incluindo empresas com capital norte-americano, interessadas em operar ou abrir unidades na China.
Os dois governos também continuarão discutindo a ampliação da quantidade de voos diretos entre os países, segundo o Ministério do Comércio chinês.
Por Paraíba Master