Brasil apoia plano de Trump para Gaza e reforça alinhamento com proposta de cessar-fogo

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira (2), durante audiência na Câmara dos Deputados, que o Brasil “vai aplaudir publicamente” o plano apresentado pelo governo dos Estados Unidos para encerrar o conflito na Faixa de Gaza.
A proposta, segundo o chanceler, está alinhada com os princípios defendidos pelo Brasil desde o início da guerra entre Israel e o grupo Hamas. O plano, divulgado pela Casa Branca na última segunda-feira (29), prevê um cessar-fogo permanente, a libertação de reféns, reconstrução de Gaza e a criação de um governo internacional provisório para administrar a região, denominado “Conselho da Paz”, que seria liderado pelo presidente Donald Trump.
“Sem dúvida nenhuma, vamos aplaudi-lo publicamente. Está totalmente dentro das nossas linhas políticas”, afirmou Vieira durante sessão na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara.
O ministro destacou que o Itamaraty tomou conhecimento oficial da proposta apenas no fim da tarde de terça-feira (1º), e que o Brasil deverá emitir um comunicado formal sobre o tema.
Posição histórica do Brasil
Durante a audiência, Mauro Vieira relembrou que o Brasil, enquanto presidia o Conselho de Segurança da ONU em 2023, apresentou uma proposta de resolução com medidas humanitárias urgentes para Gaza. O texto incluía a criação de corredores humanitários, fornecimento contínuo de eletricidade, água e medicamentos, além da condenação a atos de terrorismo.
Apesar de contar com ampla maioria entre os membros do Conselho, a resolução foi vetada pelos Estados Unidos — país com assento permanente e poder de veto.
“Apresentamos resoluções nesse sentido que foram, na ocasião, vetadas por um país membro”, lamentou o chanceler, referindo-se aos EUA.
Vieira reforçou que os pilares do plano norte-americano – cessar-fogo, ajuda humanitária, libertação de reféns e reconstrução de Gaza – coincidem com as prioridades defendidas pelo Brasil em fóruns internacionais.
Detalhes do plano americano
A proposta norte-americana prevê a libertação de todos os reféns mantidos pelo Hamas, vivos ou mortos, em troca da soltura de presos palestinos por parte de Israel, além da entrega de restos mortais de cidadãos de Gaza. O plano sugere ainda a formação de um governo internacional temporário, presidido por Trump, com outros líderes mundiais a serem definidos posteriormente.
A iniciativa é vista por parte da comunidade internacional como um possível ponto de partida para negociações mais amplas visando a estabilidade na região.