Estudo aponta que EJA melhora renda e empregabilidade de estudantes adultos

 Estudo aponta que EJA melhora renda e empregabilidade de estudantes adultos
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Um estudo inédito encomendado pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Unesco, revela que a Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem impacto direto e positivo na renda, formalização no mercado de trabalho e qualidade das ocupações dos alunos que retornam à escola após abandoná-la na juventude.

O levantamento será lançado nesta quarta-feira (10), durante o Seminário Nacional de Educação de Jovens e Adultos, evento que marca o primeiro ano do Pacto pela Superação do Analfabetismo. A pesquisa busca preencher uma lacuna histórica na produção de dados sobre a EJA e oferecer subsídios para políticas públicas voltadas à ampliação da oferta e da qualificação dessa modalidade de ensino.

Educação básica em ritmo acelerado

A EJA é voltada a jovens e adultos que não concluíram o ensino fundamental ou médio na idade adequada e desejam retomar os estudos. Com currículo adaptado e duração reduzida em comparação às turmas regulares, a modalidade permite a obtenção dos certificados da educação básica de forma mais ágil.

Segundo o estudo, a demanda por essa oferta segue elevada, mesmo com os avanços no acesso escolar. Em 2023, mais de um terço dos jovens brasileiros com até 20 anos ainda não havia finalizado o ensino médio. Os dados também mostram que a população potencial da EJA é formada, majoritariamente, por pessoas negras, moradoras de áreas rurais ou com baixa renda — o que reforça o papel social da política.

Alfabetização transforma vidas

Entre os que frequentaram a etapa inicial da EJA, chamada de AJA (Alfabetização de Jovens e Adultos), os ganhos econômicos são expressivos. A renda média entre pessoas de 18 a 60 anos cresceu 16,3% após a conclusão dessa fase. O salto é ainda maior na faixa entre 46 e 60 anos, superando, 23%.

Além disso, o estudo aponta um aumento de 7,7 pontos percentuais na probabilidade de ocupação formal e de 2,3 pontos em postos considerados de qualidade — ou seja, com salário mínimo ou superior e carga horária de até 44 horas semanais.

Ensino fundamental e médio também geram ganhos

Para estudantes que completaram o ensino fundamental por meio da EJA, a renda média teve alta de 4,6%. O grupo de 26 a 35 anos registrou o maior avanço, com crescimento de 14,9%. Nesse segmento, a formalização no mercado de trabalho subiu 6,6 pontos percentuais, e a chance de uma ocupação de qualidade cresceu 3,2 pontos.

Já entre os que alcançaram o ensino médio, o impacto na renda foi ainda mais significativo: aumento de 6% na média geral, chegando a 10% entre os mais jovens. O estudo também mostra que a conclusão dessa etapa eleva em 9,4 pontos percentuais a probabilidade de acesso ao trabalho com carteira assinada e em 3,3 pontos as chances de exercer funções mais bem remuneradas.

Educação como estratégia de inclusão

Para a economista Fabiana de Felicio, autora do estudo, os resultados reforçam o papel estratégico da EJA para o desenvolvimento econômico e social do país. Segundo ela, os benefícios de longo prazo superam os custos imediatos do retorno à escola, especialmente entre jovens adultos.

“O investimento em EJA não apenas melhora a renda e as condições de trabalho dos indivíduos, mas também fortalece a economia local e ajuda a combater a pobreza e a desigualdade”, afirma. A especialista destaca ainda que o contingente de pessoas aptas à alfabetização ou ao retorno aos estudos segue elevado, o que indica espaço para a ampliação da oferta.

Pacto Nacional e metas

Com foco na superação do analfabetismo, o Ministério da Educação lançou, em 2024, o Pacto EJA. A iniciativa prevê a criação de 3,3 milhões de vagas em cursos de EJA, integrados à educação profissional, até 2027. O investimento total será de R$ 4 bilhões ao longo de quatro anos.

Dados da Pnad Contínua (IBGE) mostram que o Brasil ainda conta com 9,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever — o equivalente a 5,3% da população nessa faixa etária. A expectativa do governo é que a nova política consiga reverter parte desse cenário e oferecer mais oportunidades para jovens e adultos em situação de vulnerabilidade.

Por Paraíba Master

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